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Sem Querer Quero

Está a ser duro...

29
Fev20

Psicoterapia.jpg

A vida está a ser dura, muito dura! 
...Por uma razão ou por outra, a psicoterapia também está a ser dura. Mesmo dura! Certo é que, no meu entender as duas coisas estão inteiramente relacionadas...
Se dias há que saio de lá a sorrir, por achar que finalmente, tudo está no caminho certo, outros há que saio com a sensação de retrocesso, inchada de chorar e de mal com a vida. Principalmente de mal comigo e, só depois, com os outros!
O mesmo me acontece com as minhas obrigações diárias: se há dias em que, mesmo com tudo a ruir, eu sorrio. Outros há que mesmo não chorando todas as mini-complicações do quotidiano me parecem descabidas e sem sentido - e me enervam!
...Simplificar a vida era tão bom creio até que essa seria a chave - para todos os problemas do mundo. Mas não há como fazer isso de forma unilateral...
Melhor dizendo: se dúvidas eu tivesse relativamente a acreditar que existe gente que veio ao mundo apenas e só para, com as suas frustrações e inseguranças, infernizar a vida alheia...hoje, não sinto uma réstia - por mínima que seja - de dúvida! Acredito mesmo, que sim, que há gente que nasceu para isso!
...E é para poder lidar com essas pessoas e comigo que faço terapia. 
Sim, eu sei, que no geral, todos nos sentimos um pouco assim, às vezes, no que diz respeito à vida...
...Mas cada um de nós, que se predispõe à psicoterapia, predispõe-se a mergulhar fundo nas suas dores, nas suas mágoas, nas suas falhas e sucessos seja enquanto filha, irmã, namorada, prima, sobrinha, neta, nora, cunhada, amiga, e enquanto ser com vida pessoal e profissional...e por aí fora. Predispõe-se a mergulhar numa viagem ao seu passado e presente...(o futuro está ainda lá longe!) Aceita encarar tudo de frente para melhorar a sua vida e ajudar aqueles que o rodeiam mas, caraças, não deixa de ser um processo extremamente doloroso.
E...quinta-feira tive uma sessão depois do trabalho. É difícil e seria injusto até descrever o quanto me custou!
Sexta, é que, foi impossível levantar-me: tinha dores no corpo e não tinha sequer forças para o manter na posição do costume: (sentada). Sentia-me sem força anímica, corporal e emocional...e ainda sinto! Tenho dormido mal e, descansar como deve ser isso...tem sido extremamente difícil! Sinto dores! Falta de força (a vários níveis)!
Mas...(não propriamente a vida) as obrigações têm de ser cumpridas! Há sempre algo que temos de fazer! Não porque sejamos, claramente, imprescindíveis num dado lugar mas, essencialmente, porque temos contas a pagar e "deveres" enquanto cidadãos envoltos numa sociedade!
Ando a falhar com certas obrigações e a exigir muito de mim noutras que deviam ser divididas!
É assim a minha vida. Ou oito ou oitenta mil...e é assim que, por enquanto, vou conseguindo levar o barco.

 

...Seria tão melhor se todos lutássemos por viver e não apenas para sobreviver!
Essa coisa de que tudo o que precisamos para sermos felizes está, apenas e só, dentro de nós...hum...isso cheiram-me a conversas de...(é melhor não dizer)!

...Já basta esconder o que sinto dia após dia após e só desabar dentro das quatro paredes do psicoterapeuta, deixem-me deitar cá para fora uma parte do que me preenche intimamente!

 

Continuo a comover-me com quem não tem tecto, nem comida, nem roupa, nem água, nem luz, nem uma cama. Continuo a acreditar que estar entre a vida e a morte é uma merda mas...também tenho sentimentos para além da compaixão.

Nunca vos aconteceu?

21
Jan20

Nunca vos aconteceu sentirem que dão tanto de vós que estão (também por isso) exaustos, cansados, desgastados?...Eu sinto-me assim. Levanto-me para cumprir obrigações (e hoje em dia quem não as cumpre é olhado de lado), para poder seguir com a vida, ter dinheiro no banco para pagar as contas mas...a minha vontade era sair por aí, sem rumo...só ir, sem saber a data de regresso ou sequer se regresso.

A minha vontade é que todos percebêssemos que existem limites, limites que se se ultrapassam o corpo cede, os olhos cansam-se...a alma fica dorida. E que os limites importam, para todos nós, sejam eles físicos ou psíquicos. 

Será que quando cumprimos obrigações estamos (também) a viver ou (apenas) a sobreviver?