Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sem Querer Quero

Uma vida...sem sonhos...


Tenho estado em casa como já vos disse (por razões que agora não vêm ao caso).

Que eu saiba não tenho coronavirus, nem Covid-19, muito menos tenho estado em contacto com grupos de risco ou pessoas que possam a vir a desenvolver tal vírus (mas nunca se sabe)...nem é disso que estou a recuperar. Nesse aspecto, e por enquanto, tudo tranquilo.



Acho, no entanto, importante referir que: durante toda a minha vida sempre fui acompanhada - numas alturas mais e noutras menos - de perto por: enfermeiros, médicos de várias especialidades, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, ortopedistas, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas ou, agora mais recentemente, até por um psicoterapeuta e uma equipa de apoio domiciliário.

E se, já me aconteceu, ter depositado grande parte da minha insegurança, frustração, tristeza, do meu medo diria até pânico nesses profissionais - que nada mais são do que pessoas, como eu. Também já depositei neles (e nos bombeiros) toda a minha esperança (no meu e) num mundo, numa vida, melhor para todos! 

E, como em tudo na vida...se há profissionais e áreas da medicina que me marcaram pela positiva outros há que me me marcaram pela negativa! Acordam às vezes mal dispostos e, provavelmente, vêm em nós o elo mais fraco. Não somos. Temos muitos defeitos mas a fraqueza não é um deles. No entanto, acredito que, tal como eu dou, (quase) todos tenham dado o seu melhor nas diferentes alturas da vida em que nos cruzámos por aí!

...O difícil de ouvir é: "um dia, possivelmente, terás de ser institucionalizada". Matei alguém? Para presos há reabilitação e, para mim não? Pergunto frontalmente!

Ouvi também noutro contexto e sobre outro assunto: "isso que há anos desejas não acontecerá" ou "Já não és aquela menina de 15 anos (...) Tens de desistir desse sonho". Dez anos passaram entre cada uma dessas frases, proferidas por duas pessoas tão distintas e em lugares tão distantes neste Mundo imenso. Uma delas foi dita por estes dias...e doí. Tanto ou mais do que doeu há 10 anos atrás.

 

Sinto que querem deixar os meus sonhos morrer para eu poder viver...

Sei que são irrealistas mas...

Eu não sei viver sem sonhos...

...Numa realidade destas...tão dura. 

...Eram, especificamente, estes sonhos que me faziam avançar, avançar e lutar por ser melhor, por ter melhores condições, por evoluir e crescer. 

...A realidade nua e crua...

...A realidade sem esperança...

Nunca a vivi!

Eram os meus sonhos os meus únicos apoios, sem eles sou pouco ou nada...

...Num Portugal onde pouco ou quase nada há, para pessoas como nós, como eu. 

...Só sonhos...

...Que tenho de deixar morrer!

E eu assim não sei viver...

 

Será que um braço chega para me apoiar?

Estou a Cuidar-(me)

Estou de baixa desde o dia 4 de Março e segundo o que me parece é para continuar...agora até quando não sei! Talvez tudo passe rápido, talvez não!
Peço apenas a quem me lê que se cuide física e psiquicamente - não só neste período mais complicado mas - sempre. É o que eu estou a tentar fazer. Cuidar-me. Cuidar-me para além de julgamentos, criticas gratuitas ou olhares desconfiados do "Mundo" em geral - aquele Mundo que ME/NOS rodeia. Cuidar-me em primeiro lugar. Sem pensar se vou ter dinheiro para tudo mas...a pensar, sobretudo, que se não tiver saúde não preciso de dinheiro para nada!

 

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais.

Charles Chaplin

 

Está a ser duro...

Psicoterapia.jpg

A vida está a ser dura, muito dura! 
...Por uma razão ou por outra, a psicoterapia também está a ser dura. Mesmo dura! Certo é que, no meu entender as duas coisas estão inteiramente relacionadas...
Se dias há que saio de lá a sorrir, por achar que finalmente, tudo está no caminho certo, outros há que saio com a sensação de retrocesso, inchada de chorar e de mal com a vida. Principalmente de mal comigo e, só depois, com os outros!
O mesmo me acontece com as minhas obrigações diárias: se há dias em que, mesmo com tudo a ruir, eu sorrio. Outros há que mesmo não chorando todas as mini-complicações do quotidiano me parecem descabidas e sem sentido - e me enervam!
...Simplificar a vida era tão bom creio até que essa seria a chave - para todos os problemas do mundo. Mas não há como fazer isso de forma unilateral...
Melhor dizendo: se dúvidas eu tivesse relativamente a acreditar que existe gente que veio ao mundo apenas e só para, com as suas frustrações e inseguranças, infernizar a vida alheia...hoje, não sinto uma réstia - por mínima que seja - de dúvida! Acredito mesmo, que sim, que há gente que nasceu para isso!
...E é para poder lidar com essas pessoas e comigo que faço terapia. 
Sim, eu sei, que no geral, todos nos sentimos um pouco assim, às vezes, no que diz respeito à vida...
...Mas cada um de nós, que se predispõe à psicoterapia, predispõe-se a mergulhar fundo nas suas dores, nas suas mágoas, nas suas falhas e sucessos seja enquanto filha, irmã, namorada, prima, sobrinha, neta, nora, cunhada, amiga, e enquanto ser com vida pessoal e profissional...e por aí fora. Predispõe-se a mergulhar numa viagem ao seu passado e presente...(o futuro está ainda lá longe!) Aceita encarar tudo de frente para melhorar a sua vida e ajudar aqueles que o rodeiam mas, caraças, não deixa de ser um processo extremamente doloroso.
E...quinta-feira tive uma sessão depois do trabalho. É difícil e seria injusto até descrever o quanto me custou!
Sexta, é que, foi impossível levantar-me: tinha dores no corpo e não tinha sequer forças para o manter na posição do costume: (sentada). Sentia-me sem força anímica, corporal e emocional...e ainda sinto! Tenho dormido mal e, descansar como deve ser isso...tem sido extremamente difícil! Sinto dores! Falta de força (a vários níveis)!
Mas...(não propriamente a vida) as obrigações têm de ser cumpridas! Há sempre algo que temos de fazer! Não porque sejamos, claramente, imprescindíveis num dado lugar mas, essencialmente, porque temos contas a pagar e "deveres" enquanto cidadãos envoltos numa sociedade!
Ando a falhar com certas obrigações e a exigir muito de mim noutras que deviam ser divididas!
É assim a minha vida. Ou oito ou oitenta mil...e é assim que, por enquanto, vou conseguindo levar o barco.

 

...Seria tão melhor se todos lutássemos por viver e não apenas para sobreviver!
Essa coisa de que tudo o que precisamos para sermos felizes está, apenas e só, dentro de nós...hum...isso cheiram-me a conversas de...(é melhor não dizer)!

...Já basta esconder o que sinto dia após dia após e só desabar dentro das quatro paredes do psicoterapeuta, deixem-me deitar cá para fora uma parte do que me preenche intimamente!

 

Continuo a comover-me com quem não tem tecto, nem comida, nem roupa, nem água, nem luz, nem uma cama. Continuo a acreditar que estar entre a vida e a morte é uma merda mas...também tenho sentimentos para além da compaixão.

Quem está em primeiro lugar?

Já não coloco ninguém em primeiro lugar - a não ser a mim mesma. Antes (ou melhor durante toda a minha vida) as alegrias dos outros estavam primeiro do que as minhas, as tristezas dos outros eram serenadas mal havia possibilidade e, eu deixava tudo para trás, pelos outros.
Hoje não! Muitos foram aqueles a quem estendi a mão e pouco tempo depois fiquei sozinha! Muitos foram aqueles que pediram perdão e, mal se esqueceram do sucedido, voltaram a meter a pata na poça, não uma nem duas mas várias vezes. Porque eu o permitia, claro. Era ver toda a gente feliz e contente e eu desamparada, infeliz de tanto dar aos outros e já não sobrar nada para mim. Por essa razão não acredito naquela célebre frase: "Na vida cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódio, estupidez e indiferença, há de recebê-los de volta em igual medida e proporção. Mas se der atenção, respeito e carinho, há de ver-se cercado de afeto, consideração e amor. Nossas ações determinam o que merecemos receber. No final, a nossa realidade não passa de um reflexo daquilo que oferecemos para aqueles que caminham connosco".

Não acredito! Mantenho o respeito por todos, desejo-lhes nada mais do que o melhor mas...eu estou primeiro! Já não cobro, já nada peço, já não reclamo. Quem quiser que me dê aquilo que acha que me deve dar.
"Ah, mas por fazeres tudo o que podias pelos outros não deves esperar que te façam o mesmo. Quem faz porque quer não deve exigir nada em troca" pois, eu não sou nada assim...claro que se dou atenção também gosto de a receber! Quem não gosta?! E, claro que, se faço o melhor que posso pelos outros também desejo que façam o mesmo comigo.

Continuo a dar afecto, consideração, atenção aos outros, mas, primeiro está o meu bem estar - e olhem que demorei muito a chegar aqui!

 

Dia Mundial Da Luta Contra O Cancro

Lembro-me tão bem, estava eu no 6º ano e, no dia 28 de fevereiro foste levar-me à escola. Levava um bolo de chocolate para se vender no bar (íamos fazer uma actividade qualquer e precisávamos de angariar dinheiro) e ao contrário dos outros dias a mãe foi de boleia connosco. Andavas com umas dorzitas nas costas mas...nada de grave. Quiseste ir a conduzir. A mãe foi ao teu lado e eu atrás.
Eis senão quando a conduzir tiveste uma convulsão. Reviravas os olhos, piscavas, tinhas a perna que estava no acelerador tensa...
...E a minha voz não saía. Queria avisar a mãe (que não deu por nada) e a voz não saía. Foram os segundos mais longos da minha vida! Lá a consegui alertar (não sei bem como) e o carro de trás apercebeu-se que algo não estava bem...a mãe parou o carro "calmamente" mudou-te para o lado do pendura e lá foste tu para o hospital!
Foram horas longas na sala de espera, foi uma semana do inferno com convulsões todos os dias e os médicos a mandarem-te para casa...até que procuraste ajuda numa clinica privada. Chegaste a casa na sexta-feira e disseste-nos: tenho cancro e segunda-feira tenho de estar em Lisboa, vou ser operado.
Na vida já recebi vários baldes de água fria mas, nenhum como este. A vida foi traiçoeira.
Seguiram-se meses longos longe uns dos outros, mas na altura o importante é que venceste um cancro cerebral. Continuaste a trabalhar!
E, infelizmente, poucos anos depois a vida voltou a apunhalar-te pelas costas...
Custa-me saber que perdeste a força, a paciência e a vontade de viver e isso é o pior que a vida podia ter-te reservado!
A vida fez-te forte mas não de ferro!

Estado de sobrevivência...

Chegando ao meu limite, como já tinha referido aqui, pedi então ajuda. E o meu limite não se trata simplesmente de estar muito exausta a nível físico mas, mais importante que isso, trata-se de ter a minha parte emocional e psíquica completamente arrebentada. Acreditem que eu aguento bastante, sou persistente, mas...cheguei ao limite daquilo que consigo aguentar sozinha. Procurei um psicoterapeuta.

Ele tem sido o amigo que eu precisava. Mas, foi franco comigo: não consigo ajudar-te emocionalmente enquanto não te tirar do estado de sobrevivência em que vives. É duro, mas está a fazer tudo o que pode (acredito) para me ajudar...