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Sem Querer Quero

Dia Mundial Da Luta Contra O Cancro

Lembro-me tão bem, estava eu no 6º ano e, no dia 28 de fevereiro foste levar-me à escola. Levava um bolo de chocolate para se vender no bar (íamos fazer uma actividade qualquer e precisávamos de angariar dinheiro) e ao contrário dos outros dias a mãe foi de boleia connosco. Andavas com umas dorzitas nas costas mas...nada de grave. Quiseste ir a conduzir. A mãe foi ao teu lado e eu atrás.
Eis senão quando a conduzir tiveste uma convulsão. Reviravas os olhos, piscavas, tinhas a perna que estava no acelerador tensa...
...E a minha voz não saía. Queria avisar a mãe (que não deu por nada) e a voz não saía. Foram os segundos mais longos da minha vida! Lá a consegui alertar (não sei bem como) e o carro de trás apercebeu-se que algo não estava bem...a mãe parou o carro "calmamente" mudou-te para o lado do pendura e lá foste tu para o hospital!
Foram horas longas na sala de espera, foi uma semana do inferno com convulsões todos os dias e os médicos a mandarem-te para casa...até que procuraste ajuda numa clinica privada. Chegaste a casa na sexta-feira e disseste-nos: tenho cancro e segunda-feira tenho de estar em Lisboa, vou ser operado.
Na vida já recebi vários baldes de água fria mas, nenhum como este. A vida foi traiçoeira.
Seguiram-se meses longos longe uns dos outros, mas na altura o importante é que venceste um cancro cerebral. Continuaste a trabalhar!
E, infelizmente, poucos anos depois a vida voltou a apunhalar-te pelas costas...
Custa-me saber que perdeste a força, a paciência e a vontade de viver e isso é o pior que a vida podia ter-te reservado!
A vida fez-te forte mas não de ferro!