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Sem Querer Quero

Dúvidas existenciais!

Sexta-feira ia escrever-vos sobre como é bom chegar a casa depois de uma semana de trabalho. Ia ser qualquer coisa do género "cheguei ao meu lar doce lar..." e obviamente ia desenvolver mais o tema mas, passou-se a sexta, o sábado e o domingo e hoje (já ou ainda?!) é quarta-feira. e nada do texto pomposo. Não, não cheguei a concluir o texto que tinha para vocês...entretanto foi-se-me o meu gato e, pois que, é isto.
O fim de semana passou a correr e não tarda nada está ai outra vez! E o que me inquieta é isto: quando darei mais significado à minha vida?! Não nasci para isto, de esperar pelos fins-de-semana para descansar, pasmar em frente à televisão e não produzir nada de espantoso...não nasci para estar em casa alapada mas também não nasci para andar tipo robô entre casa e o trabalho sem um factor....UAU!
Será que sonho muito?! Será que peço muito da vida?! Pois que não sei, são estas as dúvidas existenciais de quem quer ser mais e melhor! ...Que isto de ter uma vida morna e pouco excitante é uma pasmaceira! 

É uma tristeza difícil de explicar!

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(Na legenda o meu homenzinho com sô dona sua mãe)

Um dos meus animais de estimação - o meu gato - desapareceu há cerca de 5 dias! Estava connosco desde o dia 30 de novembro de 2016, o dia em que chegámos a casa e a nossa gata tinha tido três bebés (nós nem tínhamos bem a certeza se ela estava grávida mas...o certo é que dali vieram) - um gatinho e duas gatinhas.

Esse foi o ano em que nos juntámos um ao outro e ficámos permanentemente debaixo do mesmo tecto - eu e o moço - no mês de setembro! Por isso, aquando deste nascimento inesperado aumentámos a família de pets e ficámos com ele, já as meninas foram adoptadas ambas pela mesma família, mas desde ai muitos mais companheiros se juntaram a nós...!

Ele, tinha o nome mais original de sempre! Era muito senhor do seu nariz, mas, ao mesmo tempo, muito fiel aos donos. Estranha-me que tenha desaparecido sem deixar rasto pois, da mesma forma que se escapulia, ao fim de umas horas fora sabia sempre como voltar para casa e...desta vez não voltou. Sempre foi assim nas várias casas em que vivemos desde então...

Eu olho para os telhados dos vizinhos e parece que o ouço lá ao longe mas, a verdade é que não está lá! Desapareceu! E eu sinto a falta dele como se de uma pessoa se tratasse...ou até mesmo mais do que algum dia sentirei de algumas pessoas, aposto! 

Esta é uma tristeza difícil de explicar! Um vazio...que faz ecoar em mim a pergunta: "por onde andarás?"...e esta vazio não acompanha as modas da década mas, sim, acompanha com certeza o facto de este ser um sentimento verdadeiro! 

...Peço-te, volta companheiro! Nós nunca te abandonariamos!

Sinto-me triste...e com saudades de um dentada tua...

Quem está em primeiro lugar?

Já não coloco ninguém em primeiro lugar - a não ser a mim mesma. Antes (ou melhor durante toda a minha vida) as alegrias dos outros estavam primeiro do que as minhas, as tristezas dos outros eram serenadas mal havia possibilidade e, eu deixava tudo para trás, pelos outros.
Hoje não! Muitos foram aqueles a quem estendi a mão e pouco tempo depois fiquei sozinha! Muitos foram aqueles que pediram perdão e, mal se esqueceram do sucedido, voltaram a meter a pata na poça, não uma nem duas mas várias vezes. Porque eu o permitia, claro. Era ver toda a gente feliz e contente e eu desamparada, infeliz de tanto dar aos outros e já não sobrar nada para mim. Por essa razão não acredito naquela célebre frase: "Na vida cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódio, estupidez e indiferença, há de recebê-los de volta em igual medida e proporção. Mas se der atenção, respeito e carinho, há de ver-se cercado de afeto, consideração e amor. Nossas ações determinam o que merecemos receber. No final, a nossa realidade não passa de um reflexo daquilo que oferecemos para aqueles que caminham connosco".

Não acredito! Mantenho o respeito por todos, desejo-lhes nada mais do que o melhor mas...eu estou primeiro! Já não cobro, já nada peço, já não reclamo. Quem quiser que me dê aquilo que acha que me deve dar.
"Ah, mas por fazeres tudo o que podias pelos outros não deves esperar que te façam o mesmo. Quem faz porque quer não deve exigir nada em troca" pois, eu não sou nada assim...claro que se dou atenção também gosto de a receber! Quem não gosta?! E, claro que, se faço o melhor que posso pelos outros também desejo que façam o mesmo comigo.

Continuo a dar afecto, consideração, atenção aos outros, mas, primeiro está o meu bem estar - e olhem que demorei muito a chegar aqui!

 

O anonimato e a exposição

Tenho estado a pensar nesta coisa que é ter um blog. Dá trabalho mas também dá gosto e traz-nos amizades que, pelo menos eu, na vida não encontro de forma tão pura e verdadeira. Sempre fui boa a comunicar e a criar laços na vida, mas, agora vejo que eram laços feitos de ceda, pois mal os puxei um pouco e desfizeram-se. Não sei se afinal de contas isso decorre da minha falta de jeito com os laços ou se, por outro lado, as pessoas se cansam rapidamente e quando as coisas se complicam...ala que se faz tarde.
Acho que é mais a segunda hipótese!

Já aqui nos blogs sinto que as pessoas gostam de nós sem nos conhecer o rosto e são muitas as vezes que partilham connosco a alegria e a tristeza (no meu caso) até que se abra outra tasca. Mas, ontem, em conversa com a Maria percebi que há realmente um limite (nisto dos blogs)...ou seja, se escrevermos "demais" sobre nós não há como não sermos identificados ou reconhecidos por alguém que nos conheça e simultaneamente nos leia, e, por outro lado se não deixarmos nos nossos escritos uma parte de nós não cumprimos o propósito que devemos ter em conta ao criar um blog: desabafarmos. Estarmos inteiros! Posto isto, amigos, não sei o que faça...

Anonimato ou exposição? 

Dia Mundial Da Luta Contra O Cancro

Lembro-me tão bem, estava eu no 6º ano e, no dia 28 de fevereiro foste levar-me à escola. Levava um bolo de chocolate para se vender no bar (íamos fazer uma actividade qualquer e precisávamos de angariar dinheiro) e ao contrário dos outros dias a mãe foi de boleia connosco. Andavas com umas dorzitas nas costas mas...nada de grave. Quiseste ir a conduzir. A mãe foi ao teu lado e eu atrás.
Eis senão quando a conduzir tiveste uma convulsão. Reviravas os olhos, piscavas, tinhas a perna que estava no acelerador tensa...
...E a minha voz não saía. Queria avisar a mãe (que não deu por nada) e a voz não saía. Foram os segundos mais longos da minha vida! Lá a consegui alertar (não sei bem como) e o carro de trás apercebeu-se que algo não estava bem...a mãe parou o carro "calmamente" mudou-te para o lado do pendura e lá foste tu para o hospital!
Foram horas longas na sala de espera, foi uma semana do inferno com convulsões todos os dias e os médicos a mandarem-te para casa...até que procuraste ajuda numa clinica privada. Chegaste a casa na sexta-feira e disseste-nos: tenho cancro e segunda-feira tenho de estar em Lisboa, vou ser operado.
Na vida já recebi vários baldes de água fria mas, nenhum como este. A vida foi traiçoeira.
Seguiram-se meses longos longe uns dos outros, mas na altura o importante é que venceste um cancro cerebral. Continuaste a trabalhar!
E, infelizmente, poucos anos depois a vida voltou a apunhalar-te pelas costas...
Custa-me saber que perdeste a força, a paciência e a vontade de viver e isso é o pior que a vida podia ter-te reservado!
A vida fez-te forte mas não de ferro!

Estado de sobrevivência...

Chegando ao meu limite, como já tinha referido aqui, pedi então ajuda. E o meu limite não se trata simplesmente de estar muito exausta a nível físico mas, mais importante que isso, trata-se de ter a minha parte emocional e psíquica completamente arrebentada. Acreditem que eu aguento bastante, sou persistente, mas...cheguei ao limite daquilo que consigo aguentar sozinha. Procurei um psicoterapeuta.

Ele tem sido o amigo que eu precisava. Mas, foi franco comigo: não consigo ajudar-te emocionalmente enquanto não te tirar do estado de sobrevivência em que vives. É duro, mas está a fazer tudo o que pode (acredito) para me ajudar...

O meu avô!

O meu avô faleceu a 22 de julho de 2011. 

Escrevi-lhe isto a 22 de Janeiro de 2013.

 

"Agarra-te aos fueiros" dizias tu. Eu digo-te, mesmo que Deus não exista, mesmo que não me consigas agarrar, tu exististe, existes, vives (apenas) dentro de mim - porque te deixei ir, porque não me deste hipótese - mas vives! Agarra-me como puderes que eu, tal como sempre, agarro-me à ideia de que nunca vais deixar de querer estar comigo e de sentir a minha falta!
Mas, AMIGO, porque foste sem um último sinal, um último adeus, uma última conversa? AGARRA-ME como sempre me agarraste e como se nunca tivesses partido! AGARRA-ME esta última vez e para toda a eternidade, que é com a eternidade que vives agora e de que o nosso laço é feito. Agarra-me com ou sem asas. Agarra-me para que eu nunca caía realmente mas sim suba sempre. Agarra-me para que vá caindo com uma mão sempre a levantar-me, vá caindo só para a vida me dar uma lição mas, levantando-me assim que possível, com a tua mão, com a tua força, com a tua vontade e energia ligada a mim. Agarra-me porque tu sempre disseste que eras o meu amigo e eu sempre soube que tu eras o meu maior abrigo! ...
Queria tanto um sinal de ti. Queria-te tanto aqui.

O "Sem Querer Quero" no facebook...

Este blog tem um facebook: aqui. O facebook é mais virado para a realidade de quem vive com limitações diariamente e não tanto para a outra parte tão substancialmente importante [de mim mesma] que está aqui e, onde, para além de consciente das minhas limitações me sinto toda uma "outra pessoa" para além dessas dificuldades...

Resumindo: no blog a senhorita, no facebook o lado apenas de cadeirante, certo? Encontramos-nos lá?

 

Nunca vos aconteceu?

Nunca vos aconteceu sentirem que dão tanto de vós que estão (também por isso) exaustos, cansados, desgastados?...Eu sinto-me assim. Levanto-me para cumprir obrigações (e hoje em dia quem não as cumpre é olhado de lado), para poder seguir com a vida, ter dinheiro no banco para pagar as contas mas...a minha vontade era sair por aí, sem rumo...só ir, sem saber a data de regresso ou sequer se regresso.

A minha vontade é que todos percebêssemos que existem limites, limites que se se ultrapassam o corpo cede, os olhos cansam-se...a alma fica dorida. E que os limites importam, para todos nós, sejam eles físicos ou psíquicos. 

Será que quando cumprimos obrigações estamos (também) a viver ou (apenas) a sobreviver?

A minha corrida incessante...

Acabo de me aperceber que sou um ser estranho. Nos blogs gosto da sensação a novo, a páginas brancas para escrevinhar dia após dia mas na vida isso assusta-me! Assusta-me ver os dias a passar e eu a não os conseguir pintar, escrevinhar (como se escrevinham nos novos livros em primeiro dia de aulas) da forma que eu quero, quiçá até que eu gostaria. Custa-me ver que a vida é uma sucessão de lembretes do género: "nem tudo pode ser (sempre) como tu queres" que a própria trata de me atirar às ventas mal tem oportunidade. Acabo de me aperceber que sou um ser que corre incessantemente em busca de coisas que, às vezes, corre tanto tanto... e mesmo assim nem sabe que "coisas" são essas que tanto procura!

Ou serão tão básicas que toda a gente devia ter direito a elas sem necessitar de pedir?