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Sem Querer Quero

Uma vida...sem sonhos...


Tenho estado em casa como já vos disse (por razões que agora não vêm ao caso).

Que eu saiba não tenho coronavirus, nem Covid-19, muito menos tenho estado em contacto com grupos de risco ou pessoas que possam a vir a desenvolver tal vírus (mas nunca se sabe)...nem é disso que estou a recuperar. Nesse aspecto, e por enquanto, tudo tranquilo.



Acho, no entanto, importante referir que: durante toda a minha vida sempre fui acompanhada - numas alturas mais e noutras menos - de perto por: enfermeiros, médicos de várias especialidades, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, ortopedistas, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas ou, agora mais recentemente, até por um psicoterapeuta e uma equipa de apoio domiciliário.

E se, já me aconteceu, ter depositado grande parte da minha insegurança, frustração, tristeza, do meu medo diria até pânico nesses profissionais - que nada mais são do que pessoas, como eu. Também já depositei neles (e nos bombeiros) toda a minha esperança (no meu e) num mundo, numa vida, melhor para todos! 

E, como em tudo na vida...se há profissionais e áreas da medicina que me marcaram pela positiva outros há que me me marcaram pela negativa! Acordam às vezes mal dispostos e, provavelmente, vêm em nós o elo mais fraco. Não somos. Temos muitos defeitos mas a fraqueza não é um deles. No entanto, acredito que, tal como eu dou, (quase) todos tenham dado o seu melhor nas diferentes alturas da vida em que nos cruzámos por aí!

...O difícil de ouvir é: "um dia, possivelmente, terás de ser institucionalizada". Matei alguém? Para presos há reabilitação e, para mim não? Pergunto frontalmente!

Ouvi também noutro contexto e sobre outro assunto: "isso que há anos desejas não acontecerá" ou "Já não és aquela menina de 15 anos (...) Tens de desistir desse sonho". Dez anos passaram entre cada uma dessas frases, proferidas por duas pessoas tão distintas e em lugares tão distantes neste Mundo imenso. Uma delas foi dita por estes dias...e doí. Tanto ou mais do que doeu há 10 anos atrás.

 

Sinto que querem deixar os meus sonhos morrer para eu poder viver...

Sei que são irrealistas mas...

Eu não sei viver sem sonhos...

...Numa realidade destas...tão dura. 

...Eram, especificamente, estes sonhos que me faziam avançar, avançar e lutar por ser melhor, por ter melhores condições, por evoluir e crescer. 

...A realidade nua e crua...

...A realidade sem esperança...

Nunca a vivi!

Eram os meus sonhos os meus únicos apoios, sem eles sou pouco ou nada...

...Num Portugal onde pouco ou quase nada há, para pessoas como nós, como eu. 

...Só sonhos...

...Que tenho de deixar morrer!

E eu assim não sei viver...

 

Será que um braço chega para me apoiar?

Estou a Cuidar-(me)

Estou de baixa desde o dia 4 de Março e segundo o que me parece é para continuar...agora até quando não sei! Talvez tudo passe rápido, talvez não!
Peço apenas a quem me lê que se cuide física e psiquicamente - não só neste período mais complicado mas - sempre. É o que eu estou a tentar fazer. Cuidar-me. Cuidar-me para além de julgamentos, criticas gratuitas ou olhares desconfiados do "Mundo" em geral - aquele Mundo que ME/NOS rodeia. Cuidar-me em primeiro lugar. Sem pensar se vou ter dinheiro para tudo mas...a pensar, sobretudo, que se não tiver saúde não preciso de dinheiro para nada!

 

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais.

Charles Chaplin

 

Hoje estou cansada...amanhã é outro dia!

A primeira imagem que me vem à cabeça são os chãos onde já me estendi ao comprido. Desde soalho flutuante a imitar sei lá o quê; a azulejos brancos, a azulejos mais acinzentados, ao chão aos quadradinhos vermelhos e pretos da casa da minha avó, a divisão entre cada azulejo ser tão grande que me magoava os joelhos...you named. Apanhei de todo o tipo de chão.
E também me aventurei, em pequena, a usar joalheiros e andar por alcatrão de gatas com todos os carros a apitar - queria ir ter com a minha vizinha (que era da minha idade). Também fui "apanhar" batatas para o pasto, onde o meu avô as colocava propositadamente ao pé de mim, para eu ter o gosto de as colocar no balde.
Imaginem-se numa cadeira de rodas desde sempre. 
(Imaginem só! Porque não quero aqui ninguém a "sofrer dos mesmos males" do que eu...)
Acreditem que, de entre os dissabores que isso traz, também tive uma infância muito mas mesmo muito feliz!

Mas, hoje, tal como antigamente ainda se ouve: "Ah, estar sentado é mais confortável do que estar todo um dia em pé, de certeza!" dizem muitas pessoas (principalmente as que passam a vida em pé, ora pois claro). Pois, eu não sei - não faço ideia nem nunca experimentei estar um dia todo de pé (mesmo que quisesse, vocês entendem que não dá não é?) Mas, ocorre-me dizer que tudo o que é feito em excesso corre mal: incluindo estar sentada muitas horas...
Imaginem mais uma vez o que é andar numa cadeira de rodas, desde sempre. "Ah, já deves estar mais do que habituada". É isso, vamos começar por aí.
Não andar implica várias coisas. Imaginem, portanto, que além de estarem numa cadeira de rodas - muitas vezes - existem coisas que estão em locais não compatíveis com a vossa altura...hum...até aqui não me parece muito mau. As casas definitivamente não foram feitas para miniaturas de gente (e se a minha mãe também é baixinha) o que fazer? Acomodar-me e pôr as coisas a jeito, é o que se pode fazer.
Agora vamos a outro cenário: agarro-me ao balcão e levanto-me para desligar o fogão e encosto-me, à cadeira, devidamente travada e...pumba. Vou a sentar-me, ela anda para trás e eu, caio.
Outro cenário, estou a cortar cebolas e uma caí-me; há, claramente que pedir "juntem-me isto por favor". Isto para dizer que podia descrever muitas coisas mas...as primeiras quedas, os primeiros ajuntar de cebolas e repolhos, tudo bem, os primeiros "preciso de ir à casa de banho", também é tranquilo!
Mas, imaginem anos disto?
"Estou cansada, não consigo ter uma vida normal por causa de ti", ouves.
E depois quando segues a tua vida a pessoa é contra porque prefere ter-te debaixo do braço para hastear a bandeira: "Eu sou uma guerreira! Tanto que a ajudo...Vejam lá, é para as idas à casa de banho, é para vestir é para tudo....como fará uma vida sem mim?!"  há sem dúvida formas de o fazer mas...esteja eu com quem estiver ouço outras coisas, como: "Não posso ir deitar-me e ficares aqui, podes precisar de ajuda, dependes de mim", "Estou cansado, já não consigo sozinho(a)!" Tranquilo. Vamos procurar ajuda especializada, penso! 
Mas, não há a porra da ajuda necessária...e é ir vivendo assim. Ouvindo, engolindo, entendendo o desespero dos outros, perante nós, mas termos de engolir o nosso próprio desespero. 
É irmos trabalhar - e quando não nos conseguirmos levantar da cama para cumprir obrigações sermos olhados de lado, bem como ficarmos prejudicados devido às "n" consultas a que temos de ir - é chegar a casa novamente e ficar de volta dos repolhos, das cenouras e dos alhos e rezar para que não caiamos ao chão - eu e os legumes. Mas 90% das vezes cai-se.
Hoje também foi dia de trabalho mas...ao chegar a casa não vou ficar de volta dos repolhos, das cenouras e dos alhos e rezar para que não caiam ao chão e que eu não caia também!
Hoje vou descansar. Descansar das quedas, da descrença no ser humano e de todo um sistema...Hoje sinto o frio de um soalho flutuante a imitar sei lá o quê; sinto o frio dos azulejos brancos, dos azulejos mais acinzentados onde já caí, sinto o padrão do chão aos quadradinhos vermelhos e pretos da casa da minha avó, como se fosse hoje. A divisão entre cada azulejo continua a ser tão grande quanto a que me magoava os joelhos...como se tivesse caído agora!
Ontem caí...e perdi a conta à quantidade de vezes que isso já me aconteceu. E, se há dias em que realmente me acostumo a tais coisas, hoje estou completamente cansada!

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Amanhã é outro dia...

 

Está a ser duro...

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A vida está a ser dura, muito dura! 
...Por uma razão ou por outra, a psicoterapia também está a ser dura. Mesmo dura! Certo é que, no meu entender as duas coisas estão inteiramente relacionadas...
Se dias há que saio de lá a sorrir, por achar que finalmente, tudo está no caminho certo, outros há que saio com a sensação de retrocesso, inchada de chorar e de mal com a vida. Principalmente de mal comigo e, só depois, com os outros!
O mesmo me acontece com as minhas obrigações diárias: se há dias em que, mesmo com tudo a ruir, eu sorrio. Outros há que mesmo não chorando todas as mini-complicações do quotidiano me parecem descabidas e sem sentido - e me enervam!
...Simplificar a vida era tão bom creio até que essa seria a chave - para todos os problemas do mundo. Mas não há como fazer isso de forma unilateral...
Melhor dizendo: se dúvidas eu tivesse relativamente a acreditar que existe gente que veio ao mundo apenas e só para, com as suas frustrações e inseguranças, infernizar a vida alheia...hoje, não sinto uma réstia - por mínima que seja - de dúvida! Acredito mesmo, que sim, que há gente que nasceu para isso!
...E é para poder lidar com essas pessoas e comigo que faço terapia. 
Sim, eu sei, que no geral, todos nos sentimos um pouco assim, às vezes, no que diz respeito à vida...
...Mas cada um de nós, que se predispõe à psicoterapia, predispõe-se a mergulhar fundo nas suas dores, nas suas mágoas, nas suas falhas e sucessos seja enquanto filha, irmã, namorada, prima, sobrinha, neta, nora, cunhada, amiga, e enquanto ser com vida pessoal e profissional...e por aí fora. Predispõe-se a mergulhar numa viagem ao seu passado e presente...(o futuro está ainda lá longe!) Aceita encarar tudo de frente para melhorar a sua vida e ajudar aqueles que o rodeiam mas, caraças, não deixa de ser um processo extremamente doloroso.
E...quinta-feira tive uma sessão depois do trabalho. É difícil e seria injusto até descrever o quanto me custou!
Sexta, é que, foi impossível levantar-me: tinha dores no corpo e não tinha sequer forças para o manter na posição do costume: (sentada). Sentia-me sem força anímica, corporal e emocional...e ainda sinto! Tenho dormido mal e, descansar como deve ser isso...tem sido extremamente difícil! Sinto dores! Falta de força (a vários níveis)!
Mas...(não propriamente a vida) as obrigações têm de ser cumpridas! Há sempre algo que temos de fazer! Não porque sejamos, claramente, imprescindíveis num dado lugar mas, essencialmente, porque temos contas a pagar e "deveres" enquanto cidadãos envoltos numa sociedade!
Ando a falhar com certas obrigações e a exigir muito de mim noutras que deviam ser divididas!
É assim a minha vida. Ou oito ou oitenta mil...e é assim que, por enquanto, vou conseguindo levar o barco.

 

...Seria tão melhor se todos lutássemos por viver e não apenas para sobreviver!
Essa coisa de que tudo o que precisamos para sermos felizes está, apenas e só, dentro de nós...hum...isso cheiram-me a conversas de...(é melhor não dizer)!

...Já basta esconder o que sinto dia após dia após e só desabar dentro das quatro paredes do psicoterapeuta, deixem-me deitar cá para fora uma parte do que me preenche intimamente!

 

Continuo a comover-me com quem não tem tecto, nem comida, nem roupa, nem água, nem luz, nem uma cama. Continuo a acreditar que estar entre a vida e a morte é uma merda mas...também tenho sentimentos para além da compaixão.

As novidades dos últimos dias...

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Foi aprovada a eutanásia. Tozé Martinho e Laura Ferreira morreram. O Coronavirus continua por ai.  Uns rapazes despistaram-se a muitos km's hora, a modos que, até filmaram e...houve à posteriori uma homenagem não autorizada a tais indivíduos. A Cristina Ferreira colocou uma foto esses dias no instagram sem maquilhagem e um paparazi apanhou a Shakira desprevenida e constatou que ela tem muita celulite. A Fernanda Serrano tem um novo amor, a Inês Castel-Branco, pelo que consta, também tinha namorado (às escondidas) mas acabou. O Cristianinho já tem instagram (e seguidores aos montes). Harry pediu para que parassem de tratá-lo por príncipe. O marido do Goucha defende João Moura, que tinha imensos cães a morrer à fome. E, por último mas não menos importante: O Carnaval da minha terra é o melhor do mundo mas...este ano também deixou muito a desejar!

Estas são algumas das noticias que circulam por aí. Importa-me referir que a aprovação em Parlamento da eutanásia, no meu ponto de vista, foi a decisão mais acertada: pelo direito à escolha. As mortes de certas pessoas, sejam famosas ou não, deixam sempre os familiares desolados. Custam, doem, mas continuam a ser a "lei da vida" (como detesto esta frase) porque alguns senhores poderosos e sem discernimento preferem ganhar dinheiro à custa da desgraça alheia...do que divulgar certas curas. No que toca a homenagens a seres sem cérebro ao volante...opa ok que eram filhos e netos de alguém mas, não concordo. Há que falar em prevenção e nunca, de que forma for, incentivá-los.

Cristina Ferreira, Shakira, Inês Castel-Branco, Harry, o marido do Goucha e todas as demais soft news pouco me importam mas o que é certo, é que as leio. Já João Moura que deixa os seus animais morrer à fome, escanzelados, isso sim...impressiona-me. Cada vez acredito mais que a forma como tratamos os animais e os seres humanos é, sem dúvida, o reflexo total de quem somos verdadeiramente...

...Quanto ao Carnaval da minha terra...por favor, não falemos nisso! Vem uma pessoa aqui escrever sobre ele com tanto orgulho e eis que apanha uma desilusão mas pronto...o que importa é para o ano inovarmos, melhorarmos mas...sempre mantendo a tradição!

E o movimento #massagemcorporalwhoneed eu...continuo a precisar e MUITO. E vocês ilustres leitores do casebre aqui da senhorita, o que me contam?! Digam coisas!

Acontece que...

...O lugar onde "nasci" e cresci é palco do Melhor Carnaval do Mundo!

Há alguns anos que não estou lá presente fisicamente, (este ano especificamente) por motivos profissionais e não só...mas tenho acompanhado tudo desde sexta-feira à noite alapada no sofá.

Valha-me a Santa que inventou as televisões. Às vezes ando à luta com o João Pestana maaaaaas...nada que não se resolva!

Hoje vim trabalhar - ossos do oficio -, mas, mais logo continuarei a seguir tudo via streaming até às 00h00 de terça-feira.  

Quanto a este post serve única e exclusivamente para informar que o Melhor Carnaval do Mundo é...o da minha terra! 

Não há cá Elvas, Torres Vedras ou Brasil, os melhores somos nós, sem dúvida!

 

Lancemos um movimento!

Estar sentada numa cadeira (muitas vezes) mais do 7 a 8 horas por dia pode parecer relaxante mas, não se preocupem, vou já clarificar-vos as ideias! Aqui ninguém vai ao engano!

Não ficamos de pé ao ponto de fazer doer as pernas, mas ficamos sentados ao ponto de doer as costas, de a respiração fazer-nos aperceber de que temos ossos até onde nem imaginávamos ser possível, ossos que doem quando respiramos...e que terão de doer muito para além das 16h00 (é verdade...hoje é dia de ir ao supermercado ou então amanhã almoço comida de gato misturada com comida de cão. É só escolher). As articulações estão enferrujadas...e o corpo aguenta pouco peso só que...a minha fome aumenta cada vez mais!

O homem da casa bem que me diz para comer menos que qualquer dia não me consegue pegar, mas, o que querem que vos diga? Aumenta-se-me a fome, as dores e a falta de paciência! Estar sentada 7 a 8 horas dói, estar em pé 7 a 8 horas dói (deve doer, imagino eu - nunca experimentei) e estar deitada numa cama o mesmo número de horas também começa a fazer doer (ah, isso eu sei): os calcanhares, os joelhos, as pernas, as costas...e o que mais houver para doer.

Suponho que tudo melhorava se houvesse um meio termo mas, eu não o consigo "arranjar". Não é possível. Nunca fui de meio termo em nada e, a vida é o que é. São 7 a 8 horas na mesma posição (só em trabalho remunerado) mas depois vêm as tarefas de casa: há que lavar a loiça e fazer o jantar enquanto o homem lava o chão e trata da roupa (aqui não há malandragem...). Há que rezar para que reste comida para o dia seguinte, que as dores passem e que a paciência se volte a apoderar de nós. Ou de mim. Quero enganar quem? Eu é que ando sem paciência, com dores...

Ah, o supermercado, ainda tenho de ir ao supermercado!

Se alguma marca jeitosa quiser oferecer-me a mim e ao homem uma massagem corporal agradeço...que isto de passear com a miúda ao colo (eu, claro, ainda sou uma miúda) também não é pera doce! E estar 7 a 8 horas que nem um pau de vassora...oh, isso nem comento!

Massagem, alguém ouviu falar em massagens?! Precisam-se! 😂

Podem até iniciar o movimento: #massagemcorporalwhoneed.

Eutanásia

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Não, não ia falar disto. Acho que não tenho conhecimento cientifico para tal discussão, no entanto, ao pensar melhor, "descobri" que se calhar tenho conhecimento de causa suficiente (a nível pessoal) para me aventurar a mergulhar de cabeça neste assunto.

Ao contrário de muitas pessoas -  e à semelhança de muitas outras - nasci com uma condição física que me permitiu, em muitas alturas, pensar sobre o significado da vida e da morte! E, isso permitiu--me muitas vezes desejar tanto viver quanto noutras desejar também o oposto. Não, não digo isto "só" porque não ando. Digo isto porque, precisamente, não andar acarreta outras situações muito desagradáveis - sei, por isso mesmo, o que é depender de terceiros desde que nasci: seja para ir à casa de banho, para tomar duche ou para mudar de roupa!
Não andar não é o fim do mundo, não é mesmo mas...depender e precisar constantemente da ajuda de terceiros para (reforço): ir à casa de banho, tomar duche e mudar de roupa às vezes parece-me que, isso sim, é o fim do mundo! Porque penso assim? Eu explico. Porque os que cuidam de nós podem amar-nos muito mas...têm de ter direito a viver também a sua vida! Ninguém, seja nosso pai, mãe, companheiro ou vizinho tem a obrigação de nos cuidar ad aeternum. "Ah, mas os teus pais é que te puseram no mundo (...), o teu companheiro quando te conheceu já sabia que eras assim (...)  temos de ser solidários, todos precisamos de algum tipo de ajuda durante a vida e, essas pessoas, quem te cuida, tem essa obrigação".
Sabem o que eu vos digo? Isso são tudo balelas de quem nunca passou por isto. Passar 20 anos (ou até mais) a tomar conta de um filho ou companheiro, ou até um pai com estas limitações (ou mesmo pior do que estas) é MUITO esgotante, aflitivo...diria até cansativo, física e psicologicamente.
E, não, o amor não resolve tudo!
Que relação tem este assunto com a eutanásia? Digamos que estão interligados. No meu ponto de vista, é claro.
Já pensaram no quanto é desesperante estarmos conscientes das nossas limitações [sejam elas quais forem] e vermos os outros anos e anos seguidos a sofrer por nossa causa? Consegue ser mesmo muito desesperante! Sabem quantas vezes [muitos e até os meus] pais disseram aos seus filhos ou pensaram para si "o que será dele/a quando morrermos? Com quem ficará?" Muitos. Os meus pais até chegaram a verbalizar isso mesmo em tom de desabafo.

"Mas e então, queres com isto dizer que preferias morrer?" perguntam-me vocês. Não, não quero! Mas, aceito que, pessoas conscientes do seu estado, pessoas mentalmente sãs podem e devem escolher o seu destino. Isso do "não pedi para vir também não peço para ir" é uma treta!
Existem pessoas que ficam muitas vezes perturbadas com situações que lhes acontecem ao longo da vida e que para os quais morrer seria um alivio: pessoas alvo de violações, depressões fortes, pessoas que se vêm de um momento para o outro privadas do seu bem estar físico ou psicológico. Por que razão devem essas pessoas deslocar-se do seu país para morrer com dignidade noutro onde já é permitido faze-lo? Eu não vejo nenhuma razão para tal coisa! Além de que, havendo dinheiro e opções noutro ponto do mundo só estamos, digamos, a adiar o inevitável.
Outra questão se coloca: "Mas fulano vive acamado e é feliz" mas, o que sabemos nós em relação à felicidade dos outros? Porque razão algumas pessoas são capazes de superar as adversidades da vida e outras se afundam em depressões? Será porque não somos todos iguais e não toleramos todos os mesmos tipos de intensidades e de dores? Acredito plenamente!
Se já pensei que seria melhor morrer? Já. Se há dias em que viver é uma aventura prazerosa e boa? Também os há, claro. Mas, todos temos de o direito de ter opção de escolha. 

E é por isso que essa escolha deve ser sensata e muito ponderada, diria até, estudada!

...Como já vos escrevi aqui o meu psicoterapeuta já me disse que só me poderá ajudar tirando-me, primeiro do que tudo, do estado de sobrevivência em que vivo..."Que estado é esse?" perguntam-me vocês.
Não, não passo fome, não, não vivo na rua. Tenho comida, carro, casa para habitar...que luxo, já viram? Mas, eu e outras pessoas (muitas vezes) não temos algo também muito importante: a sorte de poder viver com dignidade. Temos de viver  à custa da bondade alheia e de uma estrutura, de uma rede, de um suporte fortes que...nem sempre existem e não estão ao alcance de todos!
Se podemos  e devemos, em certa parte, responsabilizar o Estado por isso? Claro que sim! Todos devíamos ter direito aos cuidados de saúde mediante as nossas necessidades, todos quanto precisamos e não temos poses devíamos ter ajuda psicológica e física gratuita. Obviamente!

Mas, a eutanásia é uma questão de dignidade e de sobrevivência, repito...mas, também de direito à escolha.
Muitos há que mesmo com todo o dinheiro e recursos à sua disposição preferiam morrer...lá sabem eles porquê. Suponho eu que, em alguns casos, ter ajuda física e psíquica, ter casa, comida e roupa lavada não é tudo...em calhando, para essas pessoas, viver é com certeza estar no seu estado mais pleno de felicidade, estar na posse de uma condição física invejável e ter a oportunidade de poder concretizar os seus sonhos todos e...não ser dependente. E vem a vida, dona de si, e tira-nos essas possibilidades!

Se há quem lhe dê [à vida] outro rumo depois de acontecimentos inesperados há, também, quem prefira desistir! E isto não é uma discussão sobre quem é mais ou menos forte: quem tem a coragem de desistir ou quem não a tem? Isto é, acima de tudo, saber-se o que se quer e como se quer: morrer enquanto é tempo de o fazer, com dignidade, ou esperar que a vida nos leve...
Se isso é razão para a despenalização da eutanásia, na minha humilde opinião, sim! Cada um de nós devia ter direito a poder decidir o seu futuro [e para isso não precisar de se enrolar numa corda ou atirar-se ao rio].Repito, ninguém o devia poder fazer de forma leviana mas...os entendidos na área [os médicos] melhor do que ninguém deveriam poder ajudar as pessoas nestas situações! Sendo que a pessoa em causa teria sem discussão a última palavra! É disto que estamos a falar!

Melhorar os cuidados paliativos, para mim, nada tem a ver com esta questão. Como disse e repito: [Para alguns] viver é com certeza estar no seu estado mais pleno de felicidade, estar na posse de uma condição física invejável e ter a oportunidade de poder concretizar os seus sonhos todos e...não poucas as vezes, a vida vem e tira-nos essas possibilidades...e já nada podemos fazer quanto a isso! Quem tem o direito de julgar esta ou aquela visão como sendo a certa ou a errada?

Vermos alguém que amamos a definhar lentamente sem podermos fazer nada, porque o Estado não deixa essa pessoa decidir por si, é essa a opção? Eu acho que não. Nunca. 

Como li aqui: "Rebater os argumentos dos que defendem a despenalização da eutanásia com a necessidade de melhorar os cuidados continuados é discutir o "doente" e não a "pessoa" e o seu livre arbítrio. Um "doente" depende da ciência, de outras pessoas e das respostas - ou da falta delas - que o Estado lhe dá. Uma "pessoa", quando está no pleno uso das suas capacidades intelectuais, vive das opções que faz, que resultam, naturalmente, das suas convicções (...) mas esse é um dos fatores que lhe dá sentido à vida: o poder da decisão".

 

Reforço tudo o que disse aqui também com vários exemplos de casos de eutanásia.