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Sem Querer Quero

Lancemos um movimento!

Estar sentada numa cadeira (muitas vezes) mais do 7 a 8 horas por dia pode parecer relaxante mas, não se preocupem, vou já clarificar-vos as ideias! Aqui ninguém vai ao engano!

Não ficamos de pé ao ponto de fazer doer as pernas, mas ficamos sentados ao ponto de doer as costas, de a respiração fazer-nos aperceber de que temos ossos até onde nem imaginávamos ser possível, ossos que doem quando respiramos...e que terão de doer muito para além das 16h00 (é verdade...hoje é dia de ir ao supermercado ou então amanhã almoço comida de gato misturada com comida de cão. É só escolher). As articulações estão enferrujadas...e o corpo aguenta pouco peso só que...a minha fome aumenta cada vez mais!

O homem da casa bem que me diz para comer menos que qualquer dia não me consegue pegar, mas, o que querem que vos diga? Aumenta-se-me a fome, as dores e a falta de paciência! Estar sentada 7 a 8 horas dói, estar em pé 7 a 8 horas dói (deve doer, imagino eu - nunca experimentei) e estar deitada numa cama o mesmo número de horas também começa a fazer doer (ah, isso eu sei): os calcanhares, os joelhos, as pernas, as costas...e o que mais houver para doer.

Suponho que tudo melhorava se houvesse um meio termo mas, eu não o consigo "arranjar". Não é possível. Nunca fui de meio termo em nada e, a vida é o que é. São 7 a 8 horas na mesma posição (só em trabalho remunerado) mas depois vêm as tarefas de casa: há que lavar a loiça e fazer o jantar enquanto o homem lava o chão e trata da roupa (aqui não há malandragem...). Há que rezar para que reste comida para o dia seguinte, que as dores passem e que a paciência se volte a apoderar de nós. Ou de mim. Quero enganar quem? Eu é que ando sem paciência, com dores...

Ah, o supermercado, ainda tenho de ir ao supermercado!

Se alguma marca jeitosa quiser oferecer-me a mim e ao homem uma massagem corporal agradeço...que isto de passear com a miúda ao colo (eu, claro, ainda sou uma miúda) também não é pera doce! E estar 7 a 8 horas que nem um pau de vassora...oh, isso nem comento!

Massagem, alguém ouviu falar em massagens?! Precisam-se! 😂

Podem até iniciar o movimento: #massagemcorporalwhoneed.

Eutanásia

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Não, não ia falar disto. Acho que não tenho conhecimento cientifico para tal discussão, no entanto, ao pensar melhor, "descobri" que se calhar tenho conhecimento de causa suficiente (a nível pessoal) para me aventurar a mergulhar de cabeça neste assunto.

Ao contrário de muitas pessoas -  e à semelhança de muitas outras - nasci com uma condição física que me permitiu, em muitas alturas, pensar sobre o significado da vida e da morte! E, isso permitiu--me muitas vezes desejar tanto viver quanto noutras desejar também o oposto. Não, não digo isto "só" porque não ando. Digo isto porque, precisamente, não andar acarreta outras situações muito desagradáveis - sei, por isso mesmo, o que é depender de terceiros desde que nasci: seja para ir à casa de banho, para tomar duche ou para mudar de roupa!
Não andar não é o fim do mundo, não é mesmo mas...depender e precisar constantemente da ajuda de terceiros para (reforço): ir à casa de banho, tomar duche e mudar de roupa às vezes parece-me que, isso sim, é o fim do mundo! Porque penso assim? Eu explico. Porque os que cuidam de nós podem amar-nos muito mas...têm de ter direito a viver também a sua vida! Ninguém, seja nosso pai, mãe, companheiro ou vizinho tem a obrigação de nos cuidar ad aeternum. "Ah, mas os teus pais é que te puseram no mundo (...), o teu companheiro quando te conheceu já sabia que eras assim (...)  temos de ser solidários, todos precisamos de algum tipo de ajuda durante a vida e, essas pessoas, quem te cuida, tem essa obrigação".
Sabem o que eu vos digo? Isso são tudo balelas de quem nunca passou por isto. Passar 20 anos (ou até mais) a tomar conta de um filho ou companheiro, ou até um pai com estas limitações (ou mesmo pior do que estas) é MUITO esgotante, aflitivo...diria até cansativo, física e psicologicamente.
E, não, o amor não resolve tudo!
Que relação tem este assunto com a eutanásia? Digamos que estão interligados. No meu ponto de vista, é claro.
Já pensaram no quanto é desesperante estarmos conscientes das nossas limitações [sejam elas quais forem] e vermos os outros anos e anos seguidos a sofrer por nossa causa? Consegue ser mesmo muito desesperante! Sabem quantas vezes [muitos e até os meus] pais disseram aos seus filhos ou pensaram para si "o que será dele/a quando morrermos? Com quem ficará?" Muitos. Os meus pais até chegaram a verbalizar isso mesmo em tom de desabafo.

"Mas e então, queres com isto dizer que preferias morrer?" perguntam-me vocês. Não, não quero! Mas, aceito que, pessoas conscientes do seu estado, pessoas mentalmente sãs podem e devem escolher o seu destino. Isso do "não pedi para vir também não peço para ir" é uma treta!
Existem pessoas que ficam muitas vezes perturbadas com situações que lhes acontecem ao longo da vida e que para os quais morrer seria um alivio: pessoas alvo de violações, depressões fortes, pessoas que se vêm de um momento para o outro privadas do seu bem estar físico ou psicológico. Por que razão devem essas pessoas deslocar-se do seu país para morrer com dignidade noutro onde já é permitido faze-lo? Eu não vejo nenhuma razão para tal coisa! Além de que, havendo dinheiro e opções noutro ponto do mundo só estamos, digamos, a adiar o inevitável.
Outra questão se coloca: "Mas fulano vive acamado e é feliz" mas, o que sabemos nós em relação à felicidade dos outros? Porque razão algumas pessoas são capazes de superar as adversidades da vida e outras se afundam em depressões? Será porque não somos todos iguais e não toleramos todos os mesmos tipos de intensidades e de dores? Acredito plenamente!
Se já pensei que seria melhor morrer? Já. Se há dias em que viver é uma aventura prazerosa e boa? Também os há, claro. Mas, todos temos de o direito de ter opção de escolha. 

E é por isso que essa escolha deve ser sensata e muito ponderada, diria até, estudada!

...Como já vos escrevi aqui o meu psicoterapeuta já me disse que só me poderá ajudar tirando-me, primeiro do que tudo, do estado de sobrevivência em que vivo..."Que estado é esse?" perguntam-me vocês.
Não, não passo fome, não, não vivo na rua. Tenho comida, carro, casa para habitar...que luxo, já viram? Mas, eu e outras pessoas (muitas vezes) não temos algo também muito importante: a sorte de poder viver com dignidade. Temos de viver  à custa da bondade alheia e de uma estrutura, de uma rede, de um suporte fortes que...nem sempre existem e não estão ao alcance de todos!
Se podemos  e devemos, em certa parte, responsabilizar o Estado por isso? Claro que sim! Todos devíamos ter direito aos cuidados de saúde mediante as nossas necessidades, todos quanto precisamos e não temos poses devíamos ter ajuda psicológica e física gratuita. Obviamente!

Mas, a eutanásia é uma questão de dignidade e de sobrevivência, repito...mas, também de direito à escolha.
Muitos há que mesmo com todo o dinheiro e recursos à sua disposição preferiam morrer...lá sabem eles porquê. Suponho eu que, em alguns casos, ter ajuda física e psíquica, ter casa, comida e roupa lavada não é tudo...em calhando, para essas pessoas, viver é com certeza estar no seu estado mais pleno de felicidade, estar na posse de uma condição física invejável e ter a oportunidade de poder concretizar os seus sonhos todos e...não ser dependente. E vem a vida, dona de si, e tira-nos essas possibilidades!

Se há quem lhe dê [à vida] outro rumo depois de acontecimentos inesperados há, também, quem prefira desistir! E isto não é uma discussão sobre quem é mais ou menos forte: quem tem a coragem de desistir ou quem não a tem? Isto é, acima de tudo, saber-se o que se quer e como se quer: morrer enquanto é tempo de o fazer, com dignidade, ou esperar que a vida nos leve...
Se isso é razão para a despenalização da eutanásia, na minha humilde opinião, sim! Cada um de nós devia ter direito a poder decidir o seu futuro [e para isso não precisar de se enrolar numa corda ou atirar-se ao rio].Repito, ninguém o devia poder fazer de forma leviana mas...os entendidos na área [os médicos] melhor do que ninguém deveriam poder ajudar as pessoas nestas situações! Sendo que a pessoa em causa teria sem discussão a última palavra! É disto que estamos a falar!

Melhorar os cuidados paliativos, para mim, nada tem a ver com esta questão. Como disse e repito: [Para alguns] viver é com certeza estar no seu estado mais pleno de felicidade, estar na posse de uma condição física invejável e ter a oportunidade de poder concretizar os seus sonhos todos e...não poucas as vezes, a vida vem e tira-nos essas possibilidades...e já nada podemos fazer quanto a isso! Quem tem o direito de julgar esta ou aquela visão como sendo a certa ou a errada?

Vermos alguém que amamos a definhar lentamente sem podermos fazer nada, porque o Estado não deixa essa pessoa decidir por si, é essa a opção? Eu acho que não. Nunca. 

Como li aqui: "Rebater os argumentos dos que defendem a despenalização da eutanásia com a necessidade de melhorar os cuidados continuados é discutir o "doente" e não a "pessoa" e o seu livre arbítrio. Um "doente" depende da ciência, de outras pessoas e das respostas - ou da falta delas - que o Estado lhe dá. Uma "pessoa", quando está no pleno uso das suas capacidades intelectuais, vive das opções que faz, que resultam, naturalmente, das suas convicções (...) mas esse é um dos fatores que lhe dá sentido à vida: o poder da decisão".

 

Reforço tudo o que disse aqui também com vários exemplos de casos de eutanásia. 

 

 

Dúvidas existenciais!

Sexta-feira ia escrever-vos sobre como é bom chegar a casa depois de uma semana de trabalho. Ia ser qualquer coisa do género "cheguei ao meu lar doce lar..." e obviamente ia desenvolver mais o tema mas, passou-se a sexta, o sábado e o domingo e hoje (já ou ainda?!) é quarta-feira. e nada do texto pomposo. Não, não cheguei a concluir o texto que tinha para vocês...entretanto foi-se-me o meu gato e, pois que, é isto.
O fim de semana passou a correr e não tarda nada está ai outra vez! E o que me inquieta é isto: quando darei mais significado à minha vida?! Não nasci para isto, de esperar pelos fins-de-semana para descansar, pasmar em frente à televisão e não produzir nada de espantoso...não nasci para estar em casa alapada mas também não nasci para andar tipo robô entre casa e o trabalho sem um factor....UAU!
Será que sonho muito?! Será que peço muito da vida?! Pois que não sei, são estas as dúvidas existenciais de quem quer ser mais e melhor! ...Que isto de ter uma vida morna e pouco excitante é uma pasmaceira! 

É uma tristeza difícil de explicar!

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(Na legenda o meu homenzinho com sô dona sua mãe)

Um dos meus animais de estimação - o meu gato - desapareceu há cerca de 5 dias! Estava connosco desde o dia 30 de novembro de 2016, o dia em que chegámos a casa e a nossa gata tinha tido três bebés (nós nem tínhamos bem a certeza se ela estava grávida mas...o certo é que dali vieram) - um gatinho e duas gatinhas.

Esse foi o ano em que nos juntámos um ao outro e ficámos permanentemente debaixo do mesmo tecto - eu e o moço - no mês de setembro! Por isso, aquando deste nascimento inesperado aumentámos a família de pets e ficámos com ele, já as meninas foram adoptadas ambas pela mesma família, mas desde ai muitos mais companheiros se juntaram a nós...!

Ele, tinha o nome mais original de sempre! Era muito senhor do seu nariz, mas, ao mesmo tempo, muito fiel aos donos. Estranha-me que tenha desaparecido sem deixar rasto pois, da mesma forma que se escapulia, ao fim de umas horas fora sabia sempre como voltar para casa e...desta vez não voltou. Sempre foi assim nas várias casas em que vivemos desde então...

Eu olho para os telhados dos vizinhos e parece que o ouço lá ao longe mas, a verdade é que não está lá! Desapareceu! E eu sinto a falta dele como se de uma pessoa se tratasse...ou até mesmo mais do que algum dia sentirei de algumas pessoas, aposto! 

Esta é uma tristeza difícil de explicar! Um vazio...que faz ecoar em mim a pergunta: "por onde andarás?"...e esta vazio não acompanha as modas da década mas, sim, acompanha com certeza o facto de este ser um sentimento verdadeiro! 

...Peço-te, volta companheiro! Nós nunca te abandonariamos!

Sinto-me triste...e com saudades de um dentada tua...

Quem está em primeiro lugar?

Já não coloco ninguém em primeiro lugar - a não ser a mim mesma. Antes (ou melhor durante toda a minha vida) as alegrias dos outros estavam primeiro do que as minhas, as tristezas dos outros eram serenadas mal havia possibilidade e, eu deixava tudo para trás, pelos outros.
Hoje não! Muitos foram aqueles a quem estendi a mão e pouco tempo depois fiquei sozinha! Muitos foram aqueles que pediram perdão e, mal se esqueceram do sucedido, voltaram a meter a pata na poça, não uma nem duas mas várias vezes. Porque eu o permitia, claro. Era ver toda a gente feliz e contente e eu desamparada, infeliz de tanto dar aos outros e já não sobrar nada para mim. Por essa razão não acredito naquela célebre frase: "Na vida cada um recebe de acordo com o que dá. Se você der ódio, estupidez e indiferença, há de recebê-los de volta em igual medida e proporção. Mas se der atenção, respeito e carinho, há de ver-se cercado de afeto, consideração e amor. Nossas ações determinam o que merecemos receber. No final, a nossa realidade não passa de um reflexo daquilo que oferecemos para aqueles que caminham connosco".

Não acredito! Mantenho o respeito por todos, desejo-lhes nada mais do que o melhor mas...eu estou primeiro! Já não cobro, já nada peço, já não reclamo. Quem quiser que me dê aquilo que acha que me deve dar.
"Ah, mas por fazeres tudo o que podias pelos outros não deves esperar que te façam o mesmo. Quem faz porque quer não deve exigir nada em troca" pois, eu não sou nada assim...claro que se dou atenção também gosto de a receber! Quem não gosta?! E, claro que, se faço o melhor que posso pelos outros também desejo que façam o mesmo comigo.

Continuo a dar afecto, consideração, atenção aos outros, mas, primeiro está o meu bem estar - e olhem que demorei muito a chegar aqui!

 

O anonimato e a exposição

Tenho estado a pensar nesta coisa que é ter um blog. Dá trabalho mas também dá gosto e traz-nos amizades que, pelo menos eu, na vida não encontro de forma tão pura e verdadeira. Sempre fui boa a comunicar e a criar laços na vida, mas, agora vejo que eram laços feitos de ceda, pois mal os puxei um pouco e desfizeram-se. Não sei se afinal de contas isso decorre da minha falta de jeito com os laços ou se, por outro lado, as pessoas se cansam rapidamente e quando as coisas se complicam...ala que se faz tarde.
Acho que é mais a segunda hipótese!

Já aqui nos blogs sinto que as pessoas gostam de nós sem nos conhecer o rosto e são muitas as vezes que partilham connosco a alegria e a tristeza (no meu caso) até que se abra outra tasca. Mas, ontem, em conversa com a Maria percebi que há realmente um limite (nisto dos blogs)...ou seja, se escrevermos "demais" sobre nós não há como não sermos identificados ou reconhecidos por alguém que nos conheça e simultaneamente nos leia, e, por outro lado se não deixarmos nos nossos escritos uma parte de nós não cumprimos o propósito que devemos ter em conta ao criar um blog: desabafarmos. Estarmos inteiros! Posto isto, amigos, não sei o que faça...

Anonimato ou exposição? 

Dia Mundial Da Luta Contra O Cancro

Lembro-me tão bem, estava eu no 6º ano e, no dia 28 de fevereiro foste levar-me à escola. Levava um bolo de chocolate para se vender no bar (íamos fazer uma actividade qualquer e precisávamos de angariar dinheiro) e ao contrário dos outros dias a mãe foi de boleia connosco. Andavas com umas dorzitas nas costas mas...nada de grave. Quiseste ir a conduzir. A mãe foi ao teu lado e eu atrás.
Eis senão quando a conduzir tiveste uma convulsão. Reviravas os olhos, piscavas, tinhas a perna que estava no acelerador tensa...
...E a minha voz não saía. Queria avisar a mãe (que não deu por nada) e a voz não saía. Foram os segundos mais longos da minha vida! Lá a consegui alertar (não sei bem como) e o carro de trás apercebeu-se que algo não estava bem...a mãe parou o carro "calmamente" mudou-te para o lado do pendura e lá foste tu para o hospital!
Foram horas longas na sala de espera, foi uma semana do inferno com convulsões todos os dias e os médicos a mandarem-te para casa...até que procuraste ajuda numa clinica privada. Chegaste a casa na sexta-feira e disseste-nos: tenho cancro e segunda-feira tenho de estar em Lisboa, vou ser operado.
Na vida já recebi vários baldes de água fria mas, nenhum como este. A vida foi traiçoeira.
Seguiram-se meses longos longe uns dos outros, mas na altura o importante é que venceste um cancro cerebral. Continuaste a trabalhar!
E, infelizmente, poucos anos depois a vida voltou a apunhalar-te pelas costas...
Custa-me saber que perdeste a força, a paciência e a vontade de viver e isso é o pior que a vida podia ter-te reservado!
A vida fez-te forte mas não de ferro!

Estado de sobrevivência...

Chegando ao meu limite, como já tinha referido aqui, pedi então ajuda. E o meu limite não se trata simplesmente de estar muito exausta a nível físico mas, mais importante que isso, trata-se de ter a minha parte emocional e psíquica completamente arrebentada. Acreditem que eu aguento bastante, sou persistente, mas...cheguei ao limite daquilo que consigo aguentar sozinha. Procurei um psicoterapeuta.

Ele tem sido o amigo que eu precisava. Mas, foi franco comigo: não consigo ajudar-te emocionalmente enquanto não te tirar do estado de sobrevivência em que vives. É duro, mas está a fazer tudo o que pode (acredito) para me ajudar...

O meu avô!

O meu avô faleceu a 22 de julho de 2011. 

Escrevi-lhe isto a 22 de Janeiro de 2013.

 

"Agarra-te aos fueiros" dizias tu. Eu digo-te, mesmo que Deus não exista, mesmo que não me consigas agarrar, tu exististe, existes, vives (apenas) dentro de mim - porque te deixei ir, porque não me deste hipótese - mas vives! Agarra-me como puderes que eu, tal como sempre, agarro-me à ideia de que nunca vais deixar de querer estar comigo e de sentir a minha falta!
Mas, AMIGO, porque foste sem um último sinal, um último adeus, uma última conversa? AGARRA-ME como sempre me agarraste e como se nunca tivesses partido! AGARRA-ME esta última vez e para toda a eternidade, que é com a eternidade que vives agora e de que o nosso laço é feito. Agarra-me com ou sem asas. Agarra-me para que eu nunca caía realmente mas sim suba sempre. Agarra-me para que vá caindo com uma mão sempre a levantar-me, vá caindo só para a vida me dar uma lição mas, levantando-me assim que possível, com a tua mão, com a tua força, com a tua vontade e energia ligada a mim. Agarra-me porque tu sempre disseste que eras o meu amigo e eu sempre soube que tu eras o meu maior abrigo! ...
Queria tanto um sinal de ti. Queria-te tanto aqui.